terça-feira, 18 de março de 2014
terça-feira, 11 de março de 2014
DICAS - PARTE 5
A Recuperação
Um capítulo inteiro dedicado à recuperação? Julgava que este
livro tratava do treino em bicicleta; o que é que a recuperação tem a ver com
isso? Pois bem, ora oiça: “Provavelmente o factor mais importante para o
progresso do ciclista seja a sua capacidade para recuperar devidamente”, diz
Rick Crawford, um treinador de ciclismo com base no Cobrado. “E provavelmente é
o factor mais ignorado”. Ora aí tem.
O problema essencial é este: o ciclismo é um desporto duro,
e os ciclistas competitivos são pessoas rijas acostumadas ao sofrimento e à
dor. De facto, é em primeiro lugar por isso que muitos são atraídos para este
desporto. Está verdade e é positivo, mas nem todo o sofrimento do mundo fará de
si um bom ciclista se não der espaço à recuperação. Lembre-se: quando treina,
está efectivamente a destruir tecido muscular. E durante o período de
recuperação que ele é regenerado, regressando mais forte do que anteriormente.
Para o ciclista empenhado, a recuperação deve ser tida em
conta em tudo o que faça fora da bicicleta. Deve ditar como e quando
alimentar-se, dormir, e relaxar. Há um velho ditado no mundo do ciclismo que
diz: nunca corras quando puderes andar, nunca andes quando puderes ficar parado
de pé, nunca fiques de pé se puderes sentar e nunca te sentes se puderes
deitar-se. A regra, mais do que a excepção, é sestas diárias e massagens, e
durante o pico de treino e de provas, os deveres caseiros devem ser deixados
para as esposas compreensivas ou para ajuda contratada.
Parece satisfatório, não é verdade? Mas para a maioria de
nós, um tal estilo de vida centrado no ciclismo é tão realista como uma
excursão de fim-de-semana a Marte. Todavia, há muita coisa que pode fazer para
melhorar a recuperação, mesmo dentro dos limites de uma vida atarefada sem
bicicleta.
Primeiro, veja o que pode fazer na bicicleta para ajudar à
recuperação. A coisa mais importante é consumir os hidratos de carbono
adequados para não cavar uma cova demasiado funda para si. Isso significa
encher os cantis com bebidas desportivas em todos os percursos com mais de 60
minutos e encher os bolsos da camisola com refeições leves e géis energéticos.
Aponte para cerca de 300 calorias por hora, provenientes de uma fonte que tenha
um rácio hidratos de carbono - proteínas de aproximadamente 4:1, que é o rácio
ideal para manter o glicogénio armazenado e os músculos alimentados. No fim de
percursos longos (mais de 90 minutos), certifique-se que repõe o glicogénio
armazenado nos 30 minutos seguintes com um lanche rico em hidratos de carbono
(ou uma refeição, se estiver na hora de refeição).
Outro truque para a recuperação em cima da bicicleta é
assegurar-se que inclui um período de arrefecimento apropriado no final do
percurso. Isso deve consistir em 20 minutos de pedalada fácil a uma cadência
elevada (100 a
110 rpm), que ajuda a eliminar o ácido láctico dos músculos. Se possível,
depois de um dia de treino particularmente duro ou de provas, vale a pena
pedalar 15 a
30 minutos à noite. O melhor sitio para o fazer é num equipamento de treino
dentro de casa, não só porque é mais eficiente em tempo como é mais fácil
monitorizar o seu esforço.
Sesta: sempre que possa tirar uma soneca, faça-o, mesmo que
seja apenas durante 20 minutos. Dormir é crucial para a produção de hormonas do
crescimento, que são um factor importantíssimo no aumento da força e da forma
física (é por isso que alguns atletas recorrem a doping ilegal com hormonas do
crescimento).
Massagens: Não tem meios para pagar massagens regulares?
Então efectue massagens em si próprio levantando as pernas e trabalhando de
cima para baixo, certificando-se que chega à barriga das pernas, músculos
isqueo-tibiais e quadricípites. Mesmo que seja só durante alguns minutos por
dia pode fazer uma diferença enorme. Se puder pagá-las, não faça cerimónia e vá
a uma massagem profissional, mesmo que seja apenas algumas vezes durante o
decurso da época. Procure marcá-las de modo a caírem no dia a seguir a uma
sessão de treino dura ou a uma prova.
Mantenha-se hidratado: tenha uma garrafa de água na sua
secretária e no seu carro, e beba dela frequentemente. Controle a sua urina; se
não for incolor ou amarelo pálido, beba mais.
Evite o álcool: um copo de vinho ao jantar não prejudicará
seja o que for (e até pode ajudar; o vinho tinto é rico em antioxidantes), mas
beber até ficar bêbedo fá-lo-á. Adie as impregnações para o período fora da
época.
Alimente-se convenientemente: isto já você sabia, não é
verdade?
Lide com o «stress»: não consinta que os stresses devidos
aos aborrecimentos da vida se acumulem e cresçam. Quando o stress surgir (como
acontecerá invariavelmente), sirva-se das suas capacidades para resolver
problemas para lhe fazer frente e continue em frente. O dar guarida a
situações stressantes e o viver em stress são assassinos da recuperação e terão
um impacto extremamente negativo no seu treino.
Fafe
Hora marcada para o encontro, 8h30. Local, casa do Filipe.
Pontuais, arrancamos 10 para as nove. Tendo a primeira parte da volta como
destino o Confurco, dirigimo-nos para Fafe, via pista. Atalhamos via volta do
Bond em direcção à ponte do Prego. Até Fafe, de registo só uma escaramuça com
um ciclista domingueiro. Em Fafe, paragem (obrigatória) na pastelaria Verinha,
para o primeiro abastecimento. Estômago já mais aconchegado, atravessamos então
a cidade e entramos em Pardelhas nos trilhos que nos levariam serra acima. Terreno
muito pesado, muita lama e água, e muita lenha das podas. E surgiu a avaria do
dia, um pau a quase partir o dropout da bike do Filipe. Felizmente tudo se
resolveu pelo melhor com o aperto do parafuso do desviador. Uns metros à
frente, novo contratempo: o Filipe tentou subir a primeira calçada (de muitas)
que nos apareceu, uma escorregadela e um pedal muito preso, e já adivinham,
malho. Felizmente sem consequências de maior, apenas uma lesão mínima num dedo
(escolheu mal o local da queda). Paulatinamente os quilómetros sucederam-se, até
ao Confurco. Banana, chocolate e descida até Várzea Cova. Cafés todos fechados,
toca a andar. Quem conhecer Várzea Cova sabe que está enterrado num vale com
montanhas abrupta a toda a volta… Adivinhava-se uma subida dura, mas o primeiro
Percurso Pedestre veio a revelar-se duríssimo. Uma longa ascensão numa calçada
em mau estado, cheia de água, lodo e, nalguns tramos, muito inclinada. A subida
levou-nos até Bastelo, onde algum alcatrão (alívio!) nos levou até Aboim onde,
finalmente, nos deparamos com um café aberto. O adiantado da hora pedia um
reforço mais substancial, tipo almoço mas, infelizmente tivemos de nos
contentar com umas sandes mistas (com pouco queijo, que já não havia muito!). A
segunda parte da volta consistia em percorrer mais um Percurso Pedestre, que
supostamente nos levaria de Lagoa até à barragem da Queimadela. E aqui começou
o calvário, para as bikes, e para os braços e pulsos. Foram quilómetros e quilómetros
de calçada ao estilo de Geira, ora a subir, ora a descer, sempre em muito mau
estado, com inclinações muito pronunciadas. As paisagens, essas, eram de cortar
a respiração: riachos de água límpida, bosques verdejantes, aldeias de granito
incrustadas na serra, e o os trilhos serpenteando por entre murinhos de pedra
coberta de musgo. Um pouco sem saber para que lado ficava a barragem, alguns
enganos levaram-nos a aumentar drasticamente o acumulado e a perder algum
tempo, mas também a conhecer melhor este Minho profundo, selvagem e agreste,
mas de extrema beleza. Finalmente acabámos por encontrar civilização e o
caminho certo para a Queimadela. As fitas da maratona do dia anterior sorriam e
chamavam, com um apelo a caminhos desconhecidos, pelo que não resistimos à tentação
de nos deixar levar de volta a Fafe pelo seu percurso. E que dureza… mais
subidas de cortar o fôlego, rios de lama que massacravam os músculos e tratavam
muito mal as transmissões. Deve ter havido muitos abandonos! FAFE. Os olhos do
Filipe iluminaram-se. Finalmente, íamos poder meter uma bucha, eh eh eh… Ainda
falta a famigerada pista e mais alguns quilómetros até ao merecido descanso. Um
passeio muito duro e exigente tanto física como tecnicamente. Os números, 78 quilómetros de
prazer, 2750 mts de acumulado e cerca de 10 horas a pedalar!
segunda-feira, 3 de março de 2014
OS 3 MOSQUETEIROS + 1
Fomos poucos mas bons, como diz o ditado. Três para andar e
um para tomar o pequeno almoço. Boa Magalhães. Mas fizeste muito bem em vir. Manhã chuvosa .
Muito chuvosa. O que custa é sair da cama, de resto bora que se faz tarde.
Foram 40 km
muito bons. Pedalada não muito forte e quase sem paragens. Terreno muito
pesado. Saída as 8h30 e chegada às 11h30. Nada mau.
terça-feira, 25 de fevereiro de 2014
DICAS - PARTE 4
A Questão dos Hidratos de Carbono
Hoje em dia, parece que nem sequer pode pegar em público num copo de sumo de laranja sem atrair sobre si olhares fulminantes. Como se fosse acender um cigarro na sala das crianças numa biblioteca pública. A tendência actual sobre os hidratos de carbono é intrigante, quanto mais não seja porque ela se espaneja diante da sabedoria convencional acerca da nutrição no ciclismo.Durante décadas, os nutricionistas do desporto disseram-nos para enchermos a boca com massa italiana e batatas e panquecas e... Está a ver a ideia. Basicamente, tudo aquilo que os mass medianos dizem hoje que não devemos comer.
Então, onde é que está a carne (ou, talvez com maior a-propósito, o pão)? Assentemos muito claramente numa coisa: Atkins não era um ciclista competitivo. Os hidratos de carbono ainda continuam a ser a melhor aposta para abastecer de combustível as suas escapadelas na bicicleta. Porquê? “Em qualquer esforço aeróbico continuado, precisa de hidratos de carbono e de recuperação,” diz a Dr.a Liz Applegate, autora de Eat Smart, Play Harde professora na Universidade de Califórnia. “Sou procurada a toda a hora por ciclistas que seguem dietas com poucos hidratos de carbono que me dizem “Sabe, sucede que as pernas não me parecem bem.” Isso sucede porque durante e depois do exercício, o seu corpo precisa de combustível imediatamente acessível e os hidratos de carbono estão mais disponíveis para os seus músculos do que as proteínas e as gorduras. Simplesmente consome menos energia converter os hidratos de carbono — que são essencialmente o açúcar— em combustível utilizável. O hidrato de carbono simples é uma molécula simples ou dupla de açúcar — em geral glucose, frutose, galactose, sacarose ou lactose.
Encontra-se nos alimentos nutritivos (como a fruta e os lacticínios), bem como em produtos menos saudáveis, como sejam os doces. O hidrato de carbono complexo é uma cadeia comprida de açúcares simples que é frequentemente chamada amido. As batatas, as massas italianas e o pão integral são bons exemplos.
Quando você ingere hidratos de carbono, estes são decompostos e convertidos em glucose sanguínea, o principal combustível do corpo e o único que pode alimentar o cérebro. A glucose que não seja imediatamente utilizada como energia é armazenada nos músculos e no fígado na forma de glicogénio e é utilizada como combustível mais tarde. Se estes locais estiverem cheios, a glucose é convertida em gordura.
Quando você ingere hidratos de carbono, estes são decompostos e convertidos em glucose sanguínea, o principal combustível do corpo e o único que pode alimentar o cérebro. A glucose que não seja imediatamente utilizada como energia é armazenada nos músculos e no fígado na forma de glicogénio e é utilizada como combustível mais tarde. Se estes locais estiverem cheios, a glucose é convertida em gordura.
É verdade que as proteínas e as gorduras podem servir de combustível para o corpo e para o cérebro (se não pudessem, todos os defensores de Atkins estariam em maus lençóis). Mas as exigências energéticas do ciclismo, em especial nas intensidades elevadas, simplesmente não podem ser supridas por esse processo complicado. E por isso que precisa de hidratos de carbono, e bastante mais do que as 50 gramas por dia indicadas em algumas dietas pobres em hidratos de carbono. De facto a Dr.ª Applegate recomenda que os atletas ocupados com exercícios aeróbicos regulares consumam 400 a 600 gramas de hidratos de carbono por dia.
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